segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

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Qual seria a relação entre os meios de massa e o paradigma da transmissão?

Para esquentar o tema uma sugestão de leitura: http://porvir.org/porpensar/nossos-alunos-precisam-saber-criar-conhecimento/20130909


...tive a impressão de que a Educação chega muito lenta e quase não causa muito impacto quando não é significativa, fora da realidade, descontextualizada. Depois que avança, ela alcança o alvo e caminha no mesmo passo, cria satisfação e estímulo, ao ponto de o indivíduo se tornar inquieto e buscar suas próprias experiências, saindo da zona de conforto. O professor deve ser capaz de reconhecer este momento para potencializar as capacidades do aluno.

Veja o trecho que destaquei do texto De Anísio Teixeira à Cibercultura: Desafios para a Formação de Professores Ontem, Hoje e Amanhã, do Profº Marco Sila:

"Anísio apontava para a defasagem dos professores ainda distantes do perfil necessário à nova formação dos estudantes e enfatizava: “ainda não fizemos em educação o que deveria ser feito para preparar o homem para a época que ele criou e para a qual foi arrastado”. 5 Era preciso formar professores capazes de lidar com a complexidade e a amplitude do seu tempo de modo a conduzi-lo e submetê-lo a uma nova ordem humana. Era preciso preparar as novas gerações para lidarem com a mídia de massa capaz de “condicionar mentalmente o indivíduo, transformando-o em joguete das forças de propaganda e algo de passivo no campo da recreação e do prazer."

Vocês acham que estamos no caminho certo? Como podemos avançar? 

Um dos trechos da obra Pedagogia do Oprimido que me toca muito e quando ele diz:

"Quando entro em uma sala de aula devo estar sendo um ser aberto a indagações, à curiosidade, à perguntas dos alunos, as suas inibições; um ser crítico e inquiridor, inquieto em face da tarefa que tenho - a de ensinar e não de transmitir conhecimento".

Diante disso, penso que o vídeo escolhido cabe perfeitamente para ilustrar o discurso que repele a pedagogia da transmissão, haja visto que:

Além dessa pedagogia corresponder a imagem descrita acima, no vídeo, observamos que:

O personagem (o homem) – Tem o desejo de obter as informações para o seu desenvolvimento, em prol do seu progresso; A ação (o movimento de transformação através da animação do jornal) – Cria o encantamento produzido pelo conhecimento obtido através dos veículos variados de informações. Ás vezes de forma imposta, violenta, assustadora. É quando o poder de um sobrepõe o outro. A crítica de Paulo Freire está muito clara nesta sessão, quando o que é tirado do centro é preparado previamente antes de ser depositado. A informação é desconstruída de valores e significados essenciais a sua real necessidade. Ao invés de servir puramente como instrumento de esclarecimento, ebulição de ideias, em fim meio de comunicação, trocas, e etc. a informação se torna a cada dia mais munição para nos tornarmos reféns de nós mesmos, “seres oprimidos”. E o que se faz da informação? Educação!

Baseado neste pensamento e na abordagem do antropólogo Kabengele Munanga, considero que o próprio oprimido, torna-se seu próprio opressor quando assume  a dignidade do ser:


“O racismo é uma ideologia. A ideologia só pode ser reproduzida se as próprias vítimas aceitam, a introjetam, naturalizam essa ideologia..., mas toda educação que nós recebemos é para poder reproduzi-la.”

Portanto, diante da dúvida de estarmos no caminho certo, penso que sim, pois a autonomia já existe. Mas, a falsa ilusão corrompe o olhar e impede o homem de vencer etapas da dominação de suas habilidades e competências. Conclui-se com isso que a comunicação é uma ação que move a informação para o uso cotidiano do homem por meio do pensamento. E isso o faz avançar caminhando em direção a seu desenvolvimento e evolução.

Contrariando esse fluxo de educação de A para B e do ensino descontextualizado, destaco o trecho do texto Mestre de Amanhã:

"O mestre seria algo como um operador dos recursos tecnológicos modernos para a apresentação e o estudo da cultura moderna, e como estaria, assim, rodeado e envolvido pelo equipamento e pela tecnologia produzida pela ciência, não lhe seria difícil ensinar o método e a disciplina intelectual do saber que tudo isso produziu e continua a produzir. A sua escola de amanhã lembrará muito mais um laboratório, uma oficina, uma estação de televisão do que a escola de ontem e ainda de hoje. Entre as coisas mais antigas, lembrará muito mais uma biblioteca e um museu do que o tradicional edifício de salas de aulas. E, como intelectual, o mestre de amanhã, nesse aspecto, lembrará muito mais o bibliotecário apaixonado pela sua biblioteca, o conservador de museu apaixonado pelo seu museu e, no sentido mais moderno, o escritor de rádio, de cinema ou de televisão apaixonado pelos seus assuntos, o planejador de exposições científicas, do que o antigo mestre-escola a repetir nas classes um saber já superado."

Hoje temos inúmeros recursos tecnológicos que facilitam essa interação entre docente e estudante.
Como estudante de uma graduação mediada através da tecnologia, vocês reconhecem esse “mestre de amanhã” com mais facilidade?

Observem como o vídeo mostra que o personagem viaja através de sua imaginação, criando portas de acesso a outros mundos, com toda a sua diversidade e poder de criação, ele vai dar forma e vida além de poder aos objetos, mesmo que simultaneamente sejam utilizadas para e contra ele mesmo. Pode-se até dizer que ele perde e ganha identidade com todas as mudanças ocasionadas pela evolução da comunicação e pensamento. A construção da história se constitui através da interface do conhecimento por diferentes ferramentas, inclusive o homem. Ele é o centro dessa construção, e representado neste vídeo como protagonista do início, meio e fim. Mas não é o que acontece na realidade? A informação que vai movimentando o homem conforme ela se apresenta é a mesma que serve como comunicação que vai criando experiência, e possibilitando ideias – mesmo que seja de “fugas”.

Acreditamos que esta informatização acontece o tempo todo, fazendo uma transição entre o período das máquinas até a chegada dos computadores. Não diferem entre si de sua essência, tem a mesma finalidade, apesar do tempo de conecção, tamanho de armazenamento, peso e medida do objeto. Carregado de acessibilidade, a informação atende a quase todos por poder estar em diferentes espaços e lugares ao mesmo tempo. E pensando nisto, reflito o vídeo em questão a partir do título: Média – Quando se obtém o meio? Do que, de que, de onde, para que, para quem, por quem? Estamos em que média? De tempo? (fator histórico) De forma? (de era) De que lugar? (geográfico) De qual processo? (social) Tecnologia: A comunicação e a informação como bases para o desenvolvimento do homem no mundo globalizado se constitui como meio para progresso ou para prisão.

Agora, se não vemos muita diferença entre a metodologia aplicada na EAD e na presencial, a facilidade não é mediada. Mas, quanto ao reconhecimento dos Mestres de amanhã, isto sim. Mas, infelizmente, não o suficiente! Acrescento uma experiência muito ruim com uma disciplina deste curso que não tinha tutoria presencial, ou seja, somente a distância. Esta tutora resolveu acumular e ignorar os tópicos de dúvidas da sala de tutoria, e depois de certo tempo por tanta insistência ela começou a dar respostas provocativas e mesmo com teor sarcásticos, até que se deu conta do que tinha feito e conseguiu apagar os registros destes casos específicos antes que pudéssemos mover uma ação contrária as suas expectativas.  Em outras disciplinas também já fui mal interpretada e tive retornos incompreensíveis, por outro lado já ouvi e li relatos de colegas que impõem obrigações às ações pedagógicas de forma indissociada, e é evidente que cocriamos coletivamente. Ou seja, a responsabilidade do ciclo de ensino e aprendizagem é compartilhada, mas ainda impera a divisão professor-aluno. O que torna a mediação, uma ação complexa e difícil de ser percebida com mais frequência, prevalecendo e reforçando o uso de uma pedagogia da transmissão. Mas, estamos caminhando...

No nosso texto base, a professor Marco Silva relata que:

"A aprendizagem não se dá a partir da récita do professor. Isto requer, portanto, modificação radical em sua autoria em sala de aula presencial e on-line. O professor não se posiciona como o detentor do monopólio do saber, mas como aquele que dispõe teias, cria possibilidades de envolvimento, oferece ocasião de engendramentos, de agenciamentos e estimula a intervenção dos aprendizes como co-autores da aprendizagem".

Qual a importância da mediação docente nas aulas presenciais e on-line? O professor Marco Silva fala sobre “uma modificação radical na autoria do professor em sala de aula". De que forma podemos mudar nossa forma de ensinar e aprender em sala de aula?

A mediação é importante porque possibilita a interação. Vivemos um novo tempo, o da era digital! Em que os recursos multimídia fazem  parte da vida das crianças, adolescentes, jovens, enfim, da vida de todos.  Diante dessa realidade, acredito que esses recursos são excelentes ferramentas a serem utilizadas em nossas práticas pedagógicas a favor  de um ensino-aprendizado mais prazeroso e significativo, não apenas para o aluno mas, também para o professor. O diálogo, a interação, a troca ajudará o aluno a construir seu próprio conhecimento.

Fonte: 
O texto discorre das contribuições e discussões dos integrantes deste grupo ao fórum " Superando a pedagogia da transmissão, da disciplina EAD do curso de Pedagogia da UERJ.
Imagens: 
http://sustentabilidadetotal.blogspot.com.br/2013/03/10-estrategias-de-manipulacao-atraves.html
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